domingo, 28 de março de 2010

O óleo de dendê, as florestas, a Nestlé, o Greenpeace e o homem

Há algum tempo já o Greenpeace vem divulgando uma campanha, com uma espécie de abaixo-assinado, movimentando pessoas de todo o mundo, inclusive do Brasil, para ajudarem a enviar uma carta ao Paul Bulcke, presidente da Nestlé. A carta é um pedido tão simples, mas tão grandioso ao mesmo tempo. Trata-se de acabar com a destruição de florestas tropicais da Indonésia.

Para entender o caso

Essas florestas tropicias são devastadas para que ocorra o plantio de palmeiras, ou dendezeiro. Ambos são a mesma coisa e resultam no tradicional óleo de dendê (ou óleo de palma).
Na realidade a devastação direta não ocorre por meio da Nestlé, e sim pela empresa Sinar Mas, a responsável (uma das maiores) direta pela destruição dessas florestas e fornecedora da Nestlé (entre outras multi e gigantes).

O óleo de dendê, na realidade, é consumido há mais de 5 mil anos e é tradicional na culinária brasileira, e bastante também na angolana. A sociedade médica afirma que a qualidade do azeite de oliva para a saúde é superior a do dendê. Só um parêntese sobre essa observação (o azeite de oliva ajuda na redução do colesterol e das doenças cardiovasculares. Pesquisadores, médicos e nutricionistas afirmam que o azeite de oliva é excelente na prevenção do câncer e de doenças do coração, além de retardar o envelhecimento celular. Riquíssimo em vitamina E).

Mas na realidade, a destruição dessas florestas vai além do objetivo culinário (apesar de ser monstro e ter um peso violento na biodiversidade). O óleo está presente na produção de cosméticos, produtos de higiene e, também, na de biocombustíveis. Até aí não há nada de gritante. Mas como sabemos que vivemos em um planeta onde o homem "come" o homem, existem empresas, como a Sinar Mas (www.sinarmasgroup.com), que devastam o meio de sobrevivência de animais e de homens, já que os pequenos agricultores são obrigados a verem seu meio de sustento ir embora fumaça à fora.

Ou seja: a queima dessas florestas resulta na emissão de grande quantidade de gás carbônico na atmosfera. "Ah, mas até aí tudo bem, o homem com certeza tem uma solução para o mundo não acabar etc etc etc". Sim, sim, acredito nisso, mas e aí? Até quando o grande homem desenvolverá meios e tecnologias para o mundo não acabar só para ele desfrutar um pouco mais (e nem ele mesmo sabe até quando) dos frutos de sua ganância e perversão?
"Ah, mas é a sobrevivência, o mundo dos negócios, capitalismo na veia". Quão covarde somos nós que conseguimos assistir à nossa flora e fauna acabando aos poucos e fingimos que não sabemos o que fazer. Somos, em grande maioria, crianças mimadas que, realmente, fingem não saber o que fazer, só para jogarmos a responsabilidade para o outro. Quão egoístas somos nós que sabemos e vemos, pior: muitas vezes somos responsáveis pelo fim de nosso próprio semelhante. Tiramos do outro o que é de seu direito achando que temos o direito de tomarmos para nós, só porque algum dia alguém falou que o mundo é dos espertos. Ó querida e doce humanidade, isso aqui não é um jogo de batata quente. Isso aqui é o planeta TERRA, isso aqui é a vida!

A solução? Comece, quem sabe por enquanto, a substituir o óleo de dendê pelo de oliva. Ou procure consumir produtos fabricados por empresas responsáveis, que aproveitam áreas sem coberturas vegetais para a implantação da palmeira. Ou seja: empresas que não acabam com a natureza, com o próprio meio onde vive, para fazer você, eu e o resto do mundo, consumir um produto originado da morte de animais, da vegetação e da desesperança de pais de famílias. 

Infelizmente a situação é grave. Só nos últimos 50 anos mais de 74 milhões de hectares de florestas na Indonésia foram completamente destruídos. A Sinar Mas entra aí com aproximadamente 1,65 milhões de hectares.

Estamos falando tanto da Indonésia... atente-se para a floresta amazônica, o pulmão do planeta Terra. Que gigante falar assim. Que sensação de enorme, de inatingível. Nada! É tão atingível que nós mesmos, os brasileiros, abrimos nossas portas para que empresas estrangeiras façam da nossa parte nesse bolo verde e colorido gigante que é a Amazônia o quintal de suas casas.

Mais do que prestar atenção em rótulos e dar buscas no Google, entre em contato com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, na CEPLAC (Comissão Executiva do Plano de Lavoura Cacaueira) e peça informações sobre o assunto, sobre empresas que exportam esse óleo, empresas produtoras que destroem áreas vegetais etc. Entre em contato pelo FALE CONOSCO (faleconosco@ceplac.gov.br). Entre no site do Greenpeace e saiba mais do que se trata antes mesmo de enviar seu nome (http://www.greenpeace.org.br/kitkat/).

Não vou colocar aqui fotos da morte violenta das florestas etc. O ponto, a chave, não é a comoção. Esse assunto é pra lá de racional. Trata-se de meio de vida, do meio onde vivemos. Que segredo tem isso? Nenhum! Temos o cérebro para RACIOCINAR e o coração para, legitimamente, agirmos como SERES HUMANOS. Segredo zero. 
Estude, pesquise, questione...se faça indignado e reivindique o direito de viver, simplesmente assim, viver naturalmente. Isso é amor, do que o mundo precisa e tanto falta. União, amor, paz e respeito!

Indico essa música (http://letras.terra.com.br/jackie-deshannon/129261/#traducao), chama-se "What the world needs now is love". Vejam a tradução, é linda. Fala de amor. Amor para todos os homens, para a humanidade. De que não precisamos de mais nada. Deus, a força suprema do Universo, já colocou tudo no lugar certo.
O que o mundo precisa agora é de amor, doce amor!

"Eu imagino Deus como a fonte de toda a energia que criou e mantém o equilíbrio do Universo...Só não consigo ver Deus no homem que devora o homem..."
(trecho de Benedito Ruy Barbosa). 

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