Quantas vezes por causa de trânsito, dívidas, dificuldades de relacionamentos, injustiça social, violência social, abuso da mídia etc etc etc nos revoltamos e xingamos? Pensamos nas mais variadas formas de "mudar a situação". Mas na maioria das vezes essas formas estão atreladas a um formato violento - ou não-puro, desajeitado, negativo, entre outros adjetivos semelhantes -, que se não tiverem o cuidado necessário podem virar contra nós mesmos e contra o nosso próprio meio.
Então, durante conversas com pessoas especiais, reflexões infinitas, muito trabalho, projetos e leituras, algo despertou em meu coração: QUE TAL UMA PRECE?
Desde muita nova, quem me conhece sabe: nunca admiti qualquer tipo de injustiça e sempre tive a fama de "defensora dos fracos e oprimidos". Não que essa fama ou essa personalidade sejam super positivas. Elas somente são alguma coisa e ponto. Fazem parte do que eu sou. Mas, de um tempo pra cá, comecei a entender e, principalmente, perceber que existem caminhos mais leves de ME ajudar e ajudar aos que estão à minha volta. São caminhos que exigem menos fúria, menos desgaste de energia, menos raiva...aliás, são caminhos que me mostram como eu posso transformar a raiva em, no mínimo, compreensão (e, quem sabe, depois, em amor puro e verdadeiro).
Só um exemplo > esses dias presenciei uma menina de aproximadamente 7 anos de idade jogando embalagem de salgadinho e rótulo de pacotes de brinquedinhos no chão. Jogou e ficou rindo, olhando... Pensei: vou falar com ela! Imediatamente algo me chamou e sussurrou: não fale com ela. Peça por ela e, depois, mostre algo a ela.
Foi o que fiz. Fechei meus olhos e pedi sinceramente, do fundo do meu coração, que essa menina por algum milagre, algum surto de boa educação, começasse a enxergar os cestos de lixo que vivem à sua volta. Depois tirei a culpa das costas dela e, em seguida, das minhas. Em seguida olhei pra ela e esperei que ela olhasse pra mim. Conversei com ela por meio do olhar, então, com os olhos eu disse: veja bem o que vou fazer, ok? Peguei o pacote que ainda estava no chão (porque o resto havia "voado" com o vento para outro lugar) e joguei no lixo. Ela me acompanhou com o olhar dela e eu segui torcendo para que ela repetisse essa ação e melhorasse a minha própria ação.
Ao contrário disso, no dia seguinte, xinguei "até" no trânsito por causa de uma moça que decidiu parar o carro no meio da avenida por, mais ou menos, 5 minutos, impedindo os demais de andarem.
Ou seja > uma atitude (minha) exagerada me levou a pensar > QUE TAL UMA PRECE? Foi então que eu decidi começar a fazer mais preces, independente de religião. Não, pára, isso não tem nada a ver com religião. Isso tem a ver com espiritualidade, com cultivar, semear e praticar o que existe de melhor em almas e corações. Eu não entendo muito disso tudo, mas estou viva (e bem viva, em todos os sentidos), sou humana e tenho uma ideia de como a coisa funciona a partir do momento em que EU decido fazer e transformar alguma coisa - dentro e fora de mim. Acredito que funcione assim com todo mundo. Será?
Só uma curiosidade bacana > "nosso pensamento, tão logo movido pela força de uma grande vontade, pode impulsionar e ajudar almas a distâncias incalculáveis, encarnadas ou não, estabelecendo uma corrente fluídica de uns para outros, pela qual os Espíritos elevados podem, por sua vez, influenciar-nos e responder das profundezas do espaço, às nossas invocações e necessidades."
E AINDA > "quando nossa prece alcança esse teor de fé, passamos a ter afinidade com um potencial tamanho, que chega a ser a expressão profunda da alma para com Deus, o colóquio solitário, refúgio dos aflitos.Diálogo íntimo daquele que sofre, com “Aquele” que alivia, onde a alma expõe suas angústias, suas culpas ou daqueles por quem pede implorando socorro, apoio ou perdão. E é assim que seu poder se faz enorme, como um farol cujo clarão não dispensa a névoa. Nesta hora, do santuário da consciência uma voz secreta responde; a voz “Daquele” de quem provém a força para as lutas do mundo, o bálsamo para nossos desalentos e a luz para nossas dúvidas, fazendo germinar a esperança e a força interior que habita em cada um de nós. A prece sincera tem ressonâncias no infinito, é linguagem que não precisa de formas recitadas, que muitas vezes os lábios balbuciam e o coração não acompanha. Espontânea e inspirada na necessidade de um coração, muitas vezes se expressa no pensamento, na angustia de um lamento, num simples e fervoroso olhar erguido ao céu, ou no exame de uma consciência que se expõe a Deus."
O que está ruim, desajeitado, triste ou estranho agora? QUE TAL UMA PRECE?

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